Nivelar por baixo

Cristina Junqueira: “Não dá pra gente nivelar por baixo”.

Espalhe o amor

Angélica Mari, foi bem direta no Roda Viva: “Que medidas de ações afirmativas vocês estão planejando pra colocar mais negros nas lideranças do Nubank?” O que veio como resposta depois dessa pergunta tem nos colocado novamente em contato com uma discussão que está longe de acabar. Nota-se pela resposta dada por Cristiana Junqueira, a total falta de entendimento quando o assunto é diversidade.

Roda Viva, Cristina Junqueira, co-fundadora do Nubank, respondeu sobre ações afirmativas.

Tenho andado por diversas empresas palestrando sobre a valorização da diversidade no mercado de trabalho e como isso resulta em inovação e crescimento. Assisti alguns trechos das entrevista que Junqueira, deu ao Roda Viva, principalmente para analizar as falas mais problemáticas. Esse trecho retiro de um post feito pelo meu amigo Thiago Amparo:

A falta de preparo para falar sobre diversidade é nítido quando ela começa a responder dizendo: “Porque no Nubank não basta ser uma empresa de tecnologia que trabalha com linguagem que poucas pessoas no brasil conhecem… a gente ainda tem exigência do inglês”. No Brasil, somente 3% da população é fluente em inglês – e este número é o mesmo há pelo menos 20 anos, segundo pesquisa. O que me faz pensar o por que nesses anos todos não houve um investimento massivo no idioma se ele é tão necessário? Sempre debato essa exigência dando um exemplo pessoal sobre o idioma.

Meu marido Luiz, se formou em Comunicação pela UFRJ no ano que o conheci, sendo um dos poucos negros a estudar na instituição, um dos únicos da sala que morava em comunidade e talvez o único filho de peixeiro. Nesses seis anos que estamos juntos, eu não me lembro de um dia sequer não ter elogiado seu currículo e me manifestado contrário a todas as dificuldades que ele enfrentou até estar onde ele trabalha hoje.

Contratar pessoas negras não é nivelar por baixo e eu tenho como provar.

O Luiz, sempre teve um currículo invejável pois mesmo novo, tinha inglês, francês e espanhol na sua bagagem de aprendizado, era um dos mais esforçados da sua turma e tirou uma das notas mais altas no seu TCC. Isso não foi o suficiente para que ele conseguisse um estágio que o valorizasse na época que ele ainda estudava e nem o permitiu ter “facilidades” de encontrar um emprego depois que terminou a faculdade. O que ele encontrou foi uma infinidade de lgbtfobia e racismo nos lugares que chegou a trabalhar.

Certo dia, contei sobre a dificuldade que ele encontrava para conseguir emprego na época para um grupo de amigos brancos, em uma agência, que falavam da importância do inglês na vida deles. É lógico que se você não fizer o recorte racial e econômico, você vai acreditar mesmo que só o inglês foi capaz de te colocar onde você está, mas isso não é uma verdade. O inglês foi só mais um filtro para que na seleção para uma determinada vaga, só tenham pessoas brancas. Se há mais de 20 anos sabemos que no Brasil, só 3% da população fala inglês, por que ele ainda é exigido?

Enquanto contava para essas pessoas, um dos meus superiores me chamou na sala dele e fechou a porta dizendo que queria conversar. Imediatamente ele começou a dizer o quanto estava errado por falar que o inglês não é necessariamente um diferencial que fará você conseguir um emprego. Naquele momento tive que interromper o que ele falava pra contar o que meu marido tinha passado naquele ano em um emprego que tinha arrumado em São Paulo.

Depois de dois anos namorando a distância, o Luiz no Rio de Janeiro e eu em São Paulo, pois ele estava procurando emprego sem parar, uma oportunidade de trabalho surgiu em São Paulo e ele se mudou para cá. O emprego pedia espanhol, inglês e formação acadêmica para pagar R$ 1.000,00 com direito a R$11,00 de vale refeição, pra comer no Morumbi (um dos bairros mais caros de São Paulo). Lá ele sofreu assédio moral, lgbtfobia, racismo, ataques políticos pois a dona da empresa era bolsonarista. É impensável ambiente mais hostil para uma pessoa negra e gay, né? Com menos de um ano ele teve que pedir desligamento devido a destruição da sua saúde mental e um burnout tão intenso que o afastou do mercado por meses, até que ele encontrou a Empregue Afro, onde trabalha hoje.

Hoje eu e meu marido trabalhamos com diversidade, ele na Empregue Afro e eu com o Guardei no Armário. Nosso objetivo principal é que outras pessoas não precisem mais ter dificuldades para conseguir uma oportunidade e ser valorizado pelo seu potencial. Atualmente ele faz um curso de reciclagem no seu inglês graças a uma parceria na empresa com uma escola de idiomas e está cada vez mais fluente. Fico pensando por que é tão difícil pra essa galera encontrar profissionais negros que saibam por exemplo, linguagem de programação? Talvez as pessoas que estejam procurando não saibam da realidade dessa população e nem onde as encontrarem. É por isso que pessoas como eu, o Luiz e tantos outros consultores e consultorias de diversidade existem.

Nivelar por baixo, é preguiça mesmo.

Comecei a escrever esse texto no começo dessa quarta feira e agora a noite, pouco antes de publicar ele, tive acesso ao pedido de desculpa de Cristina. Deixo aqui para que possam analisar e tirar suas conclusões.


Espalhe o amor

5 comments

  1. Dicas Renda Extra

    Sou a Valéria da Silva, gostei muito do seu artigo tem
    muito conteúdo de valor, parabéns nota 10.

    Visite meu site lá tem muito conteúdo, que vai lhe ajudar.

  2. Rc Cursos Online

    Sou a Antonia Brito, gostei muito do seu artigo tem muito
    conteúdo de valor, parabéns nota 10.

    Visite meu site lá tem muito conteúdo, que vai lhe ajudar.

  3. Rodrigo Silva

    Que legal…!!
    Esta foi uma visita excelente, gostei muito, voltarei assim
    que puder… Boa sorte..!

Responder a Sistcom sistema comercial Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Tamanho da fonte
Alto contraste