Amor Rural: Aceitação e Pocnejo com Gabeu filho do Solimões

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“Eu pensei, acho melhor falar com o meu pai primeiro, porque ele já não mora mais com a minha mãe, eles já estavam separado. Então se acontecesse algo, eu não iria ligar muito, pois a nossa convivência não era constante… Muitos pais não tocam no assunto, pra muitos pais é um tabu. Eles sabem que o filho é gay, já saiu do armário talvez, só que isso não vira um assunto. Nunca rolou a conversa, sabe?!…”

Conheci o Gabeu, quando a história dele se popularizou pela segunda vez. Vi personalidades e até políticos compartilhando a sua história. Eu pensei, preciso falar com esse garoto.  Ele, filho do cantor Solimões, da dupla Rio Negro e Solimões, se assumindo gay dentro de uma realidade tão difícil pra nós LGBTs era algo que eu vi uma força muito incrível e vou explicar o por que.

 

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Vivemos num Brasil mais capital, mais urbano aqui em São Paulo, mas esquecemos muito do quanto esse país é diverso. Ter um posicionamento desses, num segmento musical que é muito homofóbico, é sim um ato de resistência. Precisava dividir essa história com vocês.

Lembro-me como se fosse hoje o que foi que eu fiz. Fui atrás do perfil dele no Stories e descobri que além dele ter ciência da mensagem que estava sendo passada nas entrelinhas dessa saída pública do armário, ele tinha noção de que nenhuma família é perfeita. Ele falou sobre os atritos, conflitos e dificuldades que todos os filhos podem ter com seus pais. Principalmente a distância que pode haver entre pai e filho/filha LGBT. E que apesar de ter pais que o aceita, ele deveria ter uma responsabilidade ao tocar no assunto. 

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Conversamos muito, trocamos contatos, mostrei a seriedade desse projeto e o convidei para participar de um episódio. Ele aceitou. Quando nos encontramos para gravar, notei que apesar de toda a força do seu discurso, ele é um rapaz simples, tímido e retraído. Super preocupado com que iria falar, como iria falar e se estava falando “certo”. Não existe falar certo. 

O começo da gravação foi um pouco travada, pois não nascemos prontos. Ainda mais para dar uma entrevista para uma pessoa que você acabou de conhecer pessoalmente, pra falar sobre a sua intimidade para milhares de pessoas. Fiz o que aprendi com o tempo, deixei ele a vontade, fui construindo uma relação ali mesmo, no momento que o vídeo estava sendo gravado. Uma relação de confiança e respeito pela história dele, pela pessoa que ele é e tudo que ele representa. Ao final de tudo, mais uma vez saio dessa entrevista mais rico, mais empoderado e com mais esperanças que as coisas de certo estão mudando. 

Que muitas famílias, principalmente pais, possam aprender com o exemplo dessa história. 

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