ANGOLA É CURA: MINHA JORNADA DE RECONEXÃO ANCESTRAL E DESCOBERTAS EM TERRAS AFRICANAS!

ANGOLA É CURA: UMA VIAGEM QUE REDEFINE A ANCESTRALIDADE E O AFETO!

Cheguei em Angola para receber o Prêmio Baobá, o Oscar dos contadores de histórias que falam português, e o que encontrei aqui foi muito além de uma premiação. Esta viagem tem sido uma profunda reconexão ancestral, um reencontro com a minha família e, acima de tudo, uma jornada para conhecer um pouco mais sobre mim. É a sensação de olhar ao redor e ver pessoas parecidas comigo, de reencontrar meus pais, avós e tios nos mais velhos daqui uma emoção que só havia sentido na África do Sul.

Abertura da 1ª Feira do Livro Internacional de Ombaka

A Chegada e as Primeiras Conexões:

Desde a saída do Brasil, a conexão foi imediata. No aeroporto de Guarulhos, já me juntei à turma do Prêmio Baobá, contadores e contadoras de histórias que, como eu, vieram para cá. O mais bonito foi ter meus pais, minha irmã e minha sobrinha me levando ao aeroporto, celebrando comigo mais essa conquista. A viagem pela TAAG, uma companhia aérea de pessoas pretas, já foi um abraço: muito afeto e comida, que para mim é sinônimo de carinho.

Contadores de Histórias Angola, Brasil e Peru, junto com o Governador de Angola

Luanda: Primeiras Impressões e Bênçãos Ancestrais:

Ao chegar em Luanda, mesmo que por pouco tempo, pude sentir a energia da orla, visitar o Museu da Moeda e, o ponto alto, a casa da Mama África, Aminata Gobel. Ali, recebi a benção de sua mãe, Mama Cuíba, uma preta velha viva que me benzeu e me encheu de sabedoria. Foi um encontro transcendental, onde senti a força de gerações. Também tive a honra de conhecer Feijó, escritor, poeta e ex-ministro, também premiado pelo Baobá.

Placa de 450 anos de Luanda

Benguela e a Ressignificação da História:

De Luanda, fomos direto para Benguela, onde a Feira Internacional do Livro de Ombaka se tornou o palco de novas descobertas. O mais impactante foi saber que a feira acontece em um prédio que, no passado, foi um local de venda de pessoas escravizadas. A ressignificação desse espaço, transformado em museu e agora em centro de cultura, é um símbolo poderoso de resistência e cura. É a prova de que a dor pode ser transformada em arte e conhecimento. Tivemos a oportunidade de conhecer o governador local da província de Benguela, que nos recebeu com muito carinho.

Feira do livro de Ombaka

Encontros que Inspiram e o Prêmio Baobá:

Nessa jornada, encontrei jovens leitores que me seguiam nas redes sociais, e a emoção de ver o quanto somos inspiração uns para os outros foi indescritível. Deixei um livro para eles, pedindo que assinassem seus nomes, para que entendam que são protagonistas de suas próprias histórias. O terceiro dia foi o do Prêmio Baobá, um dia transcendental. Nada nos preparou para a grandiosidade do baobá ancestral, árvores de quase três mil anos com raízes na rocha, cheias de crianças e pessoas nos esperando em Chongoroi. O prefeito da cidade chegou a fazer terraplanagem nas ruas para nossa passagem, e fomos recebidos com comida, bebida e festa. Encontrei minha amiga Celinha, que veio de longe para prestigiar a premiação. Fui vestido pelos estilistas Luiz e Alberto, de São Gonçalo, que fizeram uma releitura de um preto velho, e levei a bengala do meu bisavô para essa terra sagrada. Dentro de um baobá, um senhor idoso, um preto velho, me contou a história de por que Deus fez o baobá oco para proteger os seus. Foi lindo, foi lindo, foi lindo.

Fogueira na praia de Benguela, onde os escravizados eram vendidos para americas

Sabedoria Ancestral e o Futuro de Angola:

No dia seguinte, tivemos a oportunidade de conversar com os Kotas e Sobas, detentores do conhecimento ancestral e imaterial de Angola, em Ombala. No caminho, fomos com uma Kota mulher, representação da Rainha Nzinga, que nos lembrou o poder de cura e cuidado. Os Sobas nos trataram como filhos e netos, compartilhando ensinamentos profundos. Angola é um país crescente, pulsante e criativo. Apesar das suas questões, como todo lugar, vir para cá como homem preto brasileiro é reafirmar a beleza e a força do meu povo ancestral. É entender que a forma como vivemos no Brasil tem muito de Angola.

Soba Maior, o mais respeitado

Agradecimentos Especiais:

Quero expressar minha profunda gratidão a toda a organização feita pela Lupulo Produções, ao Isidro Sanene, à Andrea Souza, à Associação Brasileira de Contadores de Histórias, ao Prêmio Baobá, ao Governo da Província de Benguela e ao Município de Chongoroi, e a todos os selecionados para o prêmio. A dedicação de vocês tornou essa experiência inesquecível e transformadora.

Estou escrevendo um livro e produzindo um documentário, “Exílio de Quem Roubou Minha Identidade”, para compartilhar ainda mais dessa jornada. Mas uma coisa eu já posso dizer: venham para Angola com o coração e o tempo abertos. Venham se curar. É uma experiência que transforma.

Compartilhe nas suas redes!

Confira outros artigos

ANGOLA É CURA: UMA VIAGEM QUE REDEFINE A ANCESTRALIDADE E O AFETO! Cheguei em Angola para receber…

Durante muito tempo eu achei que influência era quantidade. Mais seguidores, mais curtidas, mais visualizações. Hoje entendo…

Increva-se na newsletter!