Giovanna Heliodoro no terceiro episódio do Guardei no Armário O Talk Show Ao Vivo no Sesc Consolação
Há encontros que não cabem em palavras, mas tentam.
O terceiro episódio do Guardei no Armário O Talk Show Ao Vivo no Sesc Consolação, foi um desses momentos em que o tempo pareceu suspenso. E a presença de Giovanna Heliodoro preencheu o teatro de uma energia rara: a da transformação.

Giovanna é historiadora, comunicadora e uma das vozes mais potentes do ativismo afrotransfeminista no Brasil. Mineira de nascimento, paulista por escolha, carrega nas palavras e nos gestos o poder de quem compreende que contar a própria história é também reescrever a história de um país.
É fundadora do Transbaile, a primeira premiação brasileira dedicada às pessoas trans e travestis. Subiu no palco do TEDx para compartilhar sua jornada de afirmação identitária e brilha como apresentadora do programa Conversas que Inspiram, no Canal Futura e Globoplay, onde, aliás, já me entrevistou. Desta vez, os papéis se inverteram.

Nas redes, o Brasil a conhece como Trans Preta. Em 2018, ela integrou o livro Raízes, Resistência Histórica, e em 2022, foi reconhecida como Influenciadora com Causa pelo prêmio Geração Glamour. Cada passo da sua trajetória é um lembrete de que visibilidade também é forma de afeto.
Atrás das cortinas, antes do espetáculo começar, a emoção já se fazia presente. Liniker e Milton Nascimento tocavam ao fundo enquanto refletíamos sobre o significado de estarmos ali dois corpos pretos, LGBTQIAPN+, em um projeto que fala sobre memória, cura e pertencimento. Giovanna me disse, com os olhos marejados, que estar naquele palco era a realização de um sonho: contar sua história de aceitação no Guardei no Armário. E, entre risos e lembranças, o público riu conosco. Porque há beleza na dor quando ela é dividida com leveza. Há cura quando o riso encontra espaço onde antes havia silêncio.

Esse projeto tem me ensinado que a palavra tem poder. Que a voz transforma. Que o respeito e a sensibilidade podem fazer de um teatro uma grande sala de estar onde celulares se calam e corações se escutam. Entre aplausos demorados, olhos marejados e cabeças que balançam em concordância, sinto que estamos construindo algo que vai muito além do espetáculo: estamos construindo comunidade.
Nesse último episódio da temporada, quero agradecer profundamente a todas as pessoas que tornaram essa jornada possível. Ao Wilfried Gbedo, programador cultural do Sesc Consolação, por seu olhar atento e racializado; à Marina Maria Magalhães e Andrea de Oliveira Rodrigues, da Assessoria de Imprensa; ao Fagner Coelho, responsável pelas artes que tomaram conta da unidade; ao José Carlos, pela ponte com as instituições e coletivos LGBT+; à Mariana Alves, que tem sido meu braço direito na produção; e a toda equipe técnica do Sesc, meu mais sincero agradecimento.

Agradeço também ao Ric Costha pelos vídeos, Cadu Araújo pela maquiagem, Cíntia Felix, da Az Marias, pelo figurino, e às marcas parceiras Xeque Matte e Mais Pretto por acreditarem nesse projeto.
E já deixo o convite:
Na próxima quinta-feira, às 19h, recebemos Rodrigo França, diretor, roteirista, dramaturgo, ator e escritor cuja trajetória é marcada pela valorização da representatividade negra. Ele dirigiu obras como Barba, Cabelo & Bigode (Netflix) e Humor Negro (Globoplay/Multishow), além da peça O Pequeno Príncipe Preto. Autor de Confinamentos & Afins e organizador da antologia Pretagonismos, Rodrigo é também artista plástico, produtor cultural e um dos idealizadores do movimento Segunda Black, referência potente nas artes e na luta contra o racismo.

O Guardei no Armário segue e cada episódio é um lembrete de que nossas histórias não cabem no silêncio, elas foram feitas para ecoar.
Assista ao último episódio publicado no canal no youtube: