ENTRE OS 25 MAIORES DO MUNDO E OS 10 MAIORES DO BRASIL

Durante muito tempo eu achei que influência era quantidade. Mais seguidores, mais curtidas, mais visualizações. Hoje entendo que influência tem muito mais a ver com confiança. É quando alguém decide ouvir o que você tem a dizer porque acredita na sua trajetória, na forma como você enxerga o mundo e na responsabilidade com que escolhe usar a própria voz.

Foi exatamente isso que passou pela minha cabeça quando descobri que meu nome passou a integrar o ranking dos 25 maiores criadores LGBTQIA+ do mundo no LinkedIn e dos 10 maiores do Brasil, segundo a Favikon.

Confesso que fiquei alguns minutos olhando para a tela tentando entender o peso daquela informação. Não porque eu tenha a necessidade de estar em rankings, mas porque conheço a história que existe antes deles.

Ela começa muito longe dali.

Começa com um menino preto da periferia de São Paulo que começou a trabalhar cedo, entrou na universidade pelo ProUni, escolheu a publicidade como profissão e passou quase vinte anos aprendendo que criatividade também é resistência. Trabalhei nas maiores agências do país como designer e motion designer, participei de campanhas para grandes marcas e aprendi que comunicação não é apenas vender produtos. Comunicação muda cultura. Comunicação abre portas. Comunicação também decide quem será visto e quem continuará invisível.

Talvez por isso eu tenha criado o Guardei no Armário em 2015. Na época eu só queria que outras pessoas encontrassem as histórias que eu nunca tive quando estava tentando entender quem eu era. Dez anos depois, aquele projeto se tornou um dos maiores acervos audiovisuais de histórias LGBTQIA+ do mundo, virou livro pela Companhia das Letras, ganhou um talk show no Sesc Consolação, conquistou o Shark Tank Brasil Creators 2025 e continua crescendo porque nunca perdeu sua essência: escutar pessoas antes de falar sobre elas.

Acho curioso perceber que nenhuma dessas conquistas aconteceu porque eu tentei agradar um algoritmo. Elas aconteceram porque escolhi aprofundar conversas. Enquanto muita gente disputava alguns segundos de atenção, eu queria construir histórias que permanecessem na memória. Sempre acreditei que pessoas lembram muito mais do que sentiram do que exatamente do que ouviram.

Talvez seja por isso que hoje meu trabalho aconteça em tantos lugares diferentes. Nas redes sociais, em palestras, como mestre de cerimônias, em universidades, empresas, projetos culturais, livros, consultorias e documentários. No fundo, continuo fazendo a mesma coisa em formatos diferentes: conectando pessoas através de histórias.

O LinkedIn ocupa um lugar especial nessa caminhada. Diferente de outras plataformas, ali as conversas chegam até lideranças, empreendedores, profissionais de inovação, executivos, pesquisadores, organizações internacionais e marcas que realmente influenciam decisões. Estar entre os maiores criadores dessa comunidade significa que minha voz passou a dialogar com pessoas que também constroem o futuro dos negócios, da comunicação e da cultura.

E talvez esse seja o reconhecimento que mais conversa com o momento que estou vivendo.

Nos últimos meses tive a alegria de vencer o Shark Tank Brasil Creators, iniciar a produção do documentário “Isidro – Quem Roubou Minha Identidade?”, aprovado pela Lei Rouanet, ser indicado e premiado no Prêmio Baobá, em Angola, e continuar ampliando minha atuação como comunicador dentro e fora do Brasil. Quando olho para tudo isso junto, percebo que nenhuma dessas histórias começou quando alguém decidiu me reconhecer. Elas começaram muito antes, quando eu decidi que minha própria história também merecia ser contada.

Se existe alguma lição que levo dessa conquista, é simples. A internet muda todos os dias. Algoritmos mudam. Plataformas mudam. Tendências desaparecem. Mas pessoas continuam procurando alguém em quem possam confiar.

E talvez essa seja a forma mais bonita de construir relevância.

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